Cuiaba (MT), 26 de outubro de 2020 - 09:53

Artigo

01/09/2020 10:53

Serviço veterinário de MT na contramão das recomendações da OIE

Em um país onde a credibilidade, a cada dia, se torna algo mais volátil, em que figuras públicas apresentadas com currículos invejados, e tidos como capacitados, do dia pra noite, tem as ditas qualificações questionadas. Onde está a veracidade, a confiabilidade, e a credibilidade das pessoas?

A credibilidade e confiabilidade no serviço veterinário oficial foram  apresentadas no relatório Técnico da OIE 2020 como a principal impeditivo no reconhecimento das certificações internacionais em muitos países, e lançou cinco cartilhas ou relatórios orientativos, que os países participantes devem seguir e que definem estrutura regulatória do comércio internacional e suas implicações para os Serviços Veterinários atualmente envolvidos.

 

Os Serviços Veterinários são essenciais para salvaguardar a saúde e o bem-estar animal e a saúde pública veterinária em nível nacional. Eles são a base para a certificação sanitária de animais e produtos animais destinados ao comércio. O setor privado, incluindo produtores e indústria, desempenha um papel importante em parceria com os Serviços Veterinários.

 

Rezam estas cartilhas, que deve haver fortalecimento do serviço veterinário nos estados, e que é fundamental o fortalecimento do setor de epidemiologia, responsável por nortear decisões estratégicas, realizar análises epidemiológicas, de risco sanitário, que refletem na eficiência de todos os programas sanitários.

É preconizada a manutenção do corpo técnico para haver aprimoramento contínuo

É preconizada a manutenção do corpo técnico para haver aprimoramento contínuo, e a valorização do conhecimento científico, que aliados à independência política, são o caminho apresentado para garantir que decisões tomadas sejam sustentadas pelo conhecimento científico, econômico e epidemiológico.

 

Qual a Credibilidade das certificações Sanitárias de MT para o mercado internacional de comodities,  quando está evidente que o estado caminha na mão contrária destas recomendações??

 

Hoje aqui segue um manifesto, ou pedido, a todos, envolvidos no agronegócio, ou classe política, que possam olhar com atenção para esta autarquia (INDEA-MT), com mais de 40 anos, responsável pela certificação sanitária deste importante setor da economia de Mato Grosso, e que garante as certificações sanitárias, e acesso aos mercados internacionais.

 

Qual a credibilidade que estamos vendendo para o mercado internacional quando atuamos de forma contrária às recomendações da OIE? Como será a credibilidade internacional do INDEA com o enfraquecimento do seu corpo técnico científico?

 

Servidores do INDEA-MT que dedicaram a vida em busca de conhecimento, para construir uma instituição forte e com credibilidade reconhecida internacionalmente, e que sustentaram brilhantemente até então, as certificações sanitárias nos “tribunais” das missões internacionais, e garantiram até hoje o acesso a mercados internacionais para este pujante AGRONEGÓCIO.

 

Mas o que aparenta, é que, a cada dia, o AGRO vira as costas para este serviço público GRATUITO e EFICIENTE, até a pouco tempo. Quando o estado descobrir que estes CERTIFICADOS sanitários, tais como, de Livre de Febre Aftosa com Vacinação; Livre de Peste Suína Clássica, ou que NÃO são apenas certificados assinados em papel de pão, não vai adiantar chorar pelo leite derramado, pela soja não vendida, ou pela vaca que foi pro brejo.

 

A credibilidade é construída ao longo de anos, com muito trabalho, suor, dedicação e estudo. Hoje, aquele ditado, ou sabedoria popular que dizia: você pode perder tudo de material, mas o conhecimento nunca se perde. Esta sabedoria parece não se aplicar ao estado, que não valoriza o conhecimento e a expertise de seus servidores públicos, mas valoriza o capital, que é a coisa mais fácil de se perder.

 

Se o governo quer fortalecer o Agro, nomeie profissionais com a maior qualificação nas áreas afins. Se o governo quer confiabilidade nas ações da defesa agropecuária, deixe médico veterinário epidemiologista, doutora pela USP, coordenar os trabalhos técnicos no Laboratório de Epidemiologia Veterinária e Informação Zoossanitária. Não deixe esta pasta sem um epidemiologista, pois é irresponsabilidade!

 

Este ato descumpre de imediato uma das Ações do plano Estratégico na suspensão da vacinação contra a febre aftosa: Fortalecer setores de epidemiologia e gestão de informações zoossanitárias.

 

Nomeie médico veterinário para atuar como Gerente de Informação de Defesa Sanitária Animal no INDEA-MT, como forma de auxiliar, com informações precisas, os atendimentos a eventos e incidentes sanitários.

 

A defesa sanitária animal é área privativa do médico veterinário. Entretanto, a diretoria atual desta autarquia, ou o governo, entendem que podem nomear outro tipo de profissional para ocupar este cargo.

 

Historicamente isso nunca ocorrerá no INDEA-MT, mas passou a ser realidade desde julho de 2020, quando este cargo passou a ser ocupado por profissional NÃO MÉDICO VETERINÁRIO.

 

E a credibilidade da Defesa Sanitária Animal? E a credibilidade do INDEA-MT como fica?

 

Como pode ser possível explicar uma “REESTRUTURAÇÃO” que até então não foi apresentada, usada para justificar a transferência de sete médicos veterinários da coordenadoria de defesa sanitária animal para atuar em uma unidade local. Se esta mesma unidade local cedeu anteriormente, três (03) médicos veterinários para atuar em outras repartições públicas, sem prejuízo para seu funcionamento?

 

A única certeza que sei é que a falta destes profissionais na coordenadoria é sentida e já reflete na sobrecarga dos profissionais que lá ficaram, e não vão dar conta de entregar para a sociedade, o mesmo trabalho com qualidade.

 

Como pode não haver na coordenadoria um responsável pela SANIDADE SUÍDEA do estado? Esta atividade não é importante para o estado? Qual a imagem desta situação para a certificação internacional de área livre Peste Suína Clássica?

 

Com pode, hoje, não haver um responsável pelo programa de febre aftosa? Bom me esqueci, existe sim, mas ele está de férias, e sua substituta foi cedida. Mas pelo “interesse público, de repente” a unidade de Cuiabá passou a necessitar destes sete servidores qualificados, formadores de opinião, e que precisaram ser transferidos para lá.

 

‘Mas não se preocupem, isto é só um problema interno na instituição’! Esta é a fala que tenho ouvido de políticos!

 

Apesar do estado possuir regramentos para remoção de servidores, e Atos facilmente são justificados pelo dito “INTERESSE PÚBLICO”, previsto na legislação, e que muitas vezes é sendo usado para acuar, calar e remover desafetos.

 

Este governo se ainda não entendeu o que está ocorrendo,  espero que a sociedade escute, analise, e valorize o que realmente é essencial, porque se MT e o Brasil não valorizam, não esperem nada diferente do restante do mundo!

 

Parece que a REESTRUTURAÇÃO desta autarquia está cada vez mais difícil de ser compreendida! E o AGRO ???

 

Aruaque Lotufo Ferraz de Oliveira é médico veterinário.


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