Cuiaba (MT), 26 de outubro de 2020 - 07:37

Cidades

AFETO E DEDICAÇÃO 10/08/2020 11:48 Gazeta Digital

Ser pai é ser presente para o filho, afirma trans cuiabano

“Ser pai é dar total apoio para o filho, é ser presente e mostrar as coisas da vida”, esse é o resumo do papel desempenhado pelo estudante Arthur Reiche na vida do filho Vicent, de um ano. A família se sentiu representada ao ver uma campanha de Dia dos Pais estrelada pelo artista Thammy Miranda, que, assim como Arthur, é um homem trans.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o transexual é uma pessoa que tem o desejo de viver e ser aceito enquanto pessoa do sexo oposto. Porém, mais do que simplesmente mudar de roupas, o indivíduo trans sente que "nasceu" no corpo errado e faz alterações que podem incluir hormônios, cirurgias e também a documentação, para se apresentar como realmente é.

 

Arthur sempre teve o sonho de ser pai e quando uma grande amiga engravidou, decidiram em conjunto que ele seria a figura paterna de Vincent. Ele acompanhou a gestação, trocou fraldas, deu papinhas, cuidou do bebê durante os dias de doença e esteve presente nos momentos bons e ruins.

 

Com os pais, a aceitação do primeiro neto foi bem tranquila e cheia de amor. “Na primeira noite que trouxe ele para dormir aqui em casa, fiquei fazendo tudo sozinho, eles não ajudaram em nada. Mas viram que eu ia dar conta. Ele faz parte da família, meus pais chamam ele de netinho e gostaram bastante, porque estavam na época de serem avós”, conta Arthur.

 

Sendo pai de um menino, Arthur espera poder ensinar ao filho valores importantes e também o respeito ao próximo. “Quero ensinar que a gente pode ter diálogo, afeto. Que homem pode ser assim. Quero passar para o meu filho que o amor é uma coisa bem doida e pode vir de tudo que é lado e tem que ser respeitado”.

 

Ao ver a campanha de Dia dos Pais com Thammy, Arthur se sentiu representado, por trazer a visibilidade de famílias com homens trans. No entanto, confessa que ficou triste ao ver a repercussão negativa de pessoas criticando a família.

 

“É bem chocante as pessoas não aceitarem isso. Pai é quem cria. Ser pai é dar carinho, amor, é não abandonar os filhos. Foi um pouco triste, não só para mim, mas para todos os trans ver esse tipo de boicote”, lamenta Arthur.

 

No domingo, ele já tem planos de como irá comemorar o seu dia, ao lado do pai e do filho. Além de muita comida boa, no cardápio não faltará carinho e amor. “Ser pai é perguntar como foi o dia do filho. É amar a pessoa como ela é e do jeito que ela escolhe ser”, complementa o estudante.


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