Cuiaba (MT), 26 de outubro de 2020 - 09:30

Variedades

ENTREVISTA PARA O LEO DIAS 25/08/2020 12:24 METRÓPOLES

Suposta filha de Silvio Santos fala pela 1ª vez: “Não me julgue”

Clemozeide Lundgren, 70 anos, conseguiu na Justiça que Silvio Santos seja obrigado a fazer exame de DNA para reconhecimento da paternidade.

Em uma entrevista emocionante, ela falou da infância, de quando, aos 2 meses de idade, foi abandonada pela mãe e criada por outra família. Aos 15, a mãe biológica a procurou e revelou que seu pai seria Silvio Santos.

 

Clemozeide se casou um ano depois e até tentou, por algumas vezes, chegar ao dono do Baú. Inclusive, enviou uma carta para ele contando sua história. Em 2016, resolveu entrar na Justiça e pedir, de forma legal, o reconhecimento da paternidade. Em março deste ano, a Corte determinou que Silvio Santos faça DNA, o que deve acontecer nas próximas semanas.

 

Confira a entrevista completa com Clemozeide Lundgren:

 

Leo Dias — Olá, amigos do Metrópoles! Olha para começar a entrevista de hoje, vou ler uma nota que eu publiquei em 17 de janeiro de 2020, depois de meses de apuração. Uma nota simples e direta: “Aos 89 anos, o apresentador Silvio Santos é citado em um processo de paternidade aberto por Clemozeide Lundgren, decoradora, que procurou a Justiça para ser reconhecida como filha legítima do dono do SBT. O processo, que corre em segredo de Justiça, pede a investigação de paternidade de Clemozeide que, de acordo com relatos de sua mãe, seria filha de Silvio Santos”. Pois bem, estou aqui em Balneário Camboriú, Santa Catarina, e vim ao encontro de Clemozeide Lundgren.

 

Leo Dias — Queria que a senhora, já de cara, se apresentasse, contasse a sua história. Quem é a senhora?

 

Clemozeide Lundgren — Sou Clemozeide Lundgren. Nasci aqui no Sul do Brasil. Sou uma pessoa eclética, de muito conhecimento da vida. Sou feliz, fui feliz sempre do jeito que deu para ser. Mas eu gosto de sentir e fazer as pessoas ao meu redor felizes. Tenho uma família maravilhosa, amo meus filhos, minha família, meus amigos, meus professores e minha pátria.

 

Como Silvio conheceu a mãe de Clemozeide?

 

A minha mãe me conta que o conheceu (Silvio Santos), em Curitiba, mas, às vezes, acho ela confusa porque dizem que ele também esteve em Ponta Grossa, e temos família que andava vendendo tanto lá… Depois dessa notícia que você me deu, andei investigando e, me parece, que ele também esteve em Ponta Grossa. Então, eu acredito, e minha mãe está bem idosa, mas ela afirma Curitiba quando ela me contou a primeira vez.

 

Isso no ano de?

 

1949, né? Porque eu nasci em 50.

 

Como foi que ela conheceu ele?

 

Eu acho que foi vendo ele trabalhar como camelô. Não foi no tempo de riqueza, ele era jovem, estava recentemente na sua profissão talvez. E ela também jovem…

 

Aqui no Sul?

 

Aqui no Sul, assim ela me contou…

 

E foi um relacionamento?

 

Foi um relacionamento, não foi longo nem curto assim… Acho que no ano, eles se viram muitas vezes e, depois, ele foi embora, e ela não sabia que estava grávida. Então, ele não sabia disso… Para ele deve ter sido uma surpresa, de repente, com tantos anos alguém o procurar. Mas na minha história, eu não consegui fazer isso antes. Os advogados perguntam: “Mas porque não antes?”. Mas as circunstâncias na vida de cada um é uma história, né?

 

Vamos contar da sua história a partir de agora. Por que a senhora tem duas certidões de nascimento? E por isso também fez que o processo se alongasse mais do que deveria.

 

Eu tenho duas certidões, pois minha mãe, quando eu tinha 2 meses, uma pessoa quis casar com ela e não me aceitou. Para ela, era muito importante. Naquele tempo, para uma moça que ficasse mãe solteira, se hoje ainda tem preconceito, imagina naquele tempo. Ela achava que devia satisfação para família para ela ser respeitada. Então, ela aceitou esse casamento. Um primo dela, que foi meu pai adotivo, eles tinham filho primogênito, que morreu de meningite aos 4 meses quando eu estava com 2. E eles estavam no maior desespero. E a irmã dela até sugeriu, pois o irmão não conseguia ficar comigo, porque que ela tinha as crianças pequenas, essa minha tia era professora, né? Então, ela disse, você procura o nosso primo, eles estão num luto muito grande, acredito que irão te ajudar e, nesse tempo, você convence teu marido a aceitar a Clemozeide. E foi o que ela fez, procurou meu pai no quartel que ele estava iniciando a carreira militar, era jovem meu pai, tinha 19 anos na época. E minha mãe 16 (os adotivos, né?). Nossa, eles estenderam os braços para mim, me aceitaram, 3 anos da minha vida, eu vivi o céu, lembro assim até os 4 anos.

 

A senhora lembra?

 

Lembro. Acho que fui uma criança muito saudável, eu consigo me lembrar de todo o meu passado. Então, eu lembro que eles me puseram na escolinha maternal…

 

A senhora foi tendo noção de que era adotada ou sempre soube? A sua mãe lhe informou sobre o seu pai sem saber exatamente quem ele era. A senhora foi tomar conhecimento de quem era o seu pai por volta dos anos 1980. Em 1984, a senhora tentou através do Moacyr Franco chegar até ele e não conseguiu. De 1984 até 2016, por que a senhora não procurou, por vias legais, o reconhecimento da paternidade?

 

Nesse período, eu já estava trabalhando para suprir em casa as necessidades que vieram surgindo. Aí eu conheci o meu atual marido, estamos casados há 35 anos, ele sendo europeu eu comecei a atender as necessidades dele lá.

 

A senhora começou a passar períodos lá fora e períodos aqui no Brasil.

 

E encaminhando os meus filhos também junto com isso. Nunca os deixei. Meu filho está terminando a faculdade, minha filha ainda está buscando o seu caminho.

 

Mas sempre ficou esse vazio dentro da senhora.

 

Aí minha filha chegou da faculdade um dia e disse para mim: “Mãe, eu estou tendo muitas aulas de direito de família e mexeu comigo a sua situação, que a senhora tem essa angústia de saber”.

 

O seu direito.

 

O meu direito, né? Aí ela disse: “Vamos buscar isso pelos caminhos certos agora”. Aí foi que, através das minhas advogadas, dra. Ana Lúcia Pedroni e dra. Maria Fernanda Gugelmin, entramos pelo fórum de Balneário Camboriú, mas a juíza transferiu para o fórum de Osasco, em São Paulo, que é próximo à moradia da pessoa citada. Passou para lá. Aí, a juíza também citou meus pais adotivos para explicar o porquê dessa adoção.

 

Então vamos esclarecer. Nesse processo de reconhecimento de paternidade, a juíza se deparou com duas certidões de nascimento. Aí, a senhora explicou, através das suas advogadas, que a senhora foi adotada, e ela queria acionar os seus pais adotivos que já estão mortos. E aí teve que citar todos os seus irmãos.

 

Sim. Citou todos os meus irmãos, irmãs, né? Um irmão meu já faleceu, mas as irmãs, sim. E uma mora aqui, a outra ali, então…

 

E isso demorou?

 

Dois anos. Porque cada citação parece que, por lei, tem 45 dias de prazo, de trâmites. E a nossa Justiça é morosa. E daí, demorou isso tudo.

 

E quando a Justiça decidiu que essa história é plausível? Porque a Justiça tem que decidir se essa história tem fundamento ou não. Se não, vai ser cada dia um exame de paternidade diferente.

 

Ela já determinou o exame de DNA, e a gente está apenas aguardando a marcação da data.

 

E essa determinação foi antes da pandemia?

 

Foi duas semanas ou um mês antes da pandemia. Por isso que, agora, a qualquer momento talvez já possa vir a data. Está andando, devagar, mas está andando.

 

A senhora, suas advogadas ou sua filha, alguém teve algum retorno por parte da assessoria jurídica do Silvio Santos? Um reconhecimento de alguma maneira que não através da Justiça, mas de uma maneira extrajudicial?

 

Sim, a gente tentou. Tanto é que eu tentei ir no programa do Moacyr em 1984. E ainda antes de assinar a procuração para as minhas advogadas, eu escrevi uma carta para ele. Eu levei um mês para fazer essa carta. Conversava com Jesus todas as noites: “Como é que eu vou fazer essa carta?”.

 

A senhora enviou a carta?

 

Enviei a carta.

 

Para onde?

 

Mandei para minhas advogadas, e elas encaminharam para o escritório dos advogados dele.

 

O que a senhora dizia na carta? A senhora lembra mais ou menos?

 

Ai, eu tenho cópia dela, mas não está aqui. Eu lembro que eu dizia que gostaria de falar com ele de forma privada, em particular, e que eu não queria que isso causasse problemas. Não queria gerar polêmica. Eu dizia que queria saber se de fato a resposta era sim ou não. Eu ainda coloquei na carta que não tinha interesse nenhum material e que o que eu desejava era cuidar do meu emocional. Não sou rica nem milionária, mas não preciso pensar nesse lado. O que eu desejava era realizar essa busca para saber se ele é meu pai ou não.

 

E qual foi a resposta?

 

Foi dito que eu deveria procurar a Justiça, que, se isso fosse verídico, ele não iria fugir de suas responsabilidades. Assim que eu li isso, tive a confirmação que ele realmente era a pessoa que eu acredito como ser humano, sabe? A atitude dele, para mim, foi nobre, porque eu desejava fazer isso de forma privada, mas ele não fugiu da raia. Eu não sei se foi ele quem disse ou se a resposta veio através dos advogados, mas, para mim, veio também um questionamento, assim: “Por que essa moça deixou passar tantos anos?”.

 

Durante a faculdade de sua filha que estuda direito, enquanto ela estudava direito familiar, ela sentiu esse vazio que você carregava, não é isso?

 

Às vezes, as pessoas acham meu filho parecido com ele. Às vezes, a gente brinca com o meu filho imitando o jeito dele falar. Se tornou uma brincadeira da minha família. A gente brincava numa “forma de ironizar” o por quê desta busca não acontecer, sabe. Por exemplo, eu me identifico muito com a Patrícia. A gente fica com esse sonho, essa vontade de elucidar o que estamos vivendo, né? Já que essa história me acompanha a tanto tempo.

 

E se for real, a senhora tem noção do que fazer? O que você vai fazer e como vai reagir?

 

Eu acho que ele ficou tão surpreso quanto eu, né? Acho que nós iremos vibrar. Vou ficar em estado de graça, acho. Vai ser uma coisa linda eu poder confirmar que tenho um pai. Se não for, a vida continua. Mas se for, vou ficar muito feliz, sim!

 

É importante a gente deixar claro qual é a sua necessidade enquanto filha. É de conhecer né?

 

Sim, é conhecer a verdade.

 

É um direito que todo ser humano tem de saber quem é seu pai, ter um pai registrado.

 

Que isso sirva de exemplo para quem tem oportunidade de buscar sua verdade, porque a mentira é uma coisa muito ruim na vida.

 

E se ele não quiser conhecê-la?

 

Vou respeitar. Eu duvido que ele não queira me reconhecer, não vejo isso tão forte nele. Ele não é uma pessoa amarga. Ele é uma pessoa totalmente bondosa.

 

É importante ressaltar que nós reportamos que a dona Clemozeide é o quarto pedido de DNA já feito na Justiça brasileira em relação ao senhor Silvio Santos. Desses quatro pedidos, dois a Justiça viu que não procediam, o DNA mostrou que não era o pai e um foi feito um acordo.

 

Isso aí eu acompanhei.

 

Essa história emociona muito a senhora, né?

 

Emociona, e eu quero dizer para o Brasil que, quando eu lançar meu livro, eles vão entender melhor, porque estou contando coisas aqui e tem coisas que não posso falar, porque é muito forte ao meu ver.

 

Eu queria que a senhora aproveitasse a câmera, olhasse como se estivesse olhando para o Silvio Santos e mandasse um recado para ele.

 

Me queira bem, não me julgue, eu não posso ser julgada. Me dê um abraço um dia. Só isso. Tenta me conhecer, não acredite nos venenos que vão surgir depois dessa reportagem, como eu engoli muita coisa depois que vazou a primeira, quando vazou. Eu te admiro muito e sou muito sua fã. Acompanho sua carreira na medida que me foi possível, mas o que me encantei mesmo foi pela sua família. Acho maravilhosa a família que o senhor tem e é mais que toda riqueza que o senhor tem. Uma esposa linda, culta.

 


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