Cuiaba (MT), 02 de agosto de 2021 - 18:20

Política

NOVE MORTOS 22/07/2021 16:06 Mídia News

MPE denuncia advogado e mais dois por chacina em Colniza

O Ministério Público Estadual denunciou denunciou mais três pessoas no episódio que ficou conhecido como "Chacina de Colniza".

O caso aconteceu em abril de 2017, na Agrovila de Taquaruçu do Norte, na zona rural do Município, resultando na morte de nove pessoas.

Os três homens devem responder por nove homicídios qualificados e por atuar como grupo de extermínio.

São eles: advogado e empresário Marco Túlio dos Santos Duarte, o agricultor Alcides Aberlardo Siebe e Cleisson Palharim 

A denúncia é resultado de uma nova linha de investigação, que apontou outros motivos para a execução do crime e a participação de mais pessoas.

Conforme acusa o Ministério Público Estadual, os três teriam agido “cientes da ilicitude e reprovabilidade de suas condutas, por grupo de extermínio e sob pretexto de prestação de segurança privada, matando nove pessoas por motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa das vítimas".

Consta na denúncia que Marco Túlio e Alcides, em ano anterior ao fato, adquiriram uma propriedade/posse rural de Cleisson, no Distrito de Taquaruçu do Norte, de forma parcelada.

 

Ainda conforme a acusação do MPE, o pagamento do valor integral foi condicionado à necessidade de “limpeza da área”, ou seja, a expulsão de eventuais ocupantes. Assim, segundo a Promotoria, Marco Túlio teria organizado para que Cleisson e outras pessoas promovessem essa “limpeza”, com anuência de Alcides.

No dia 19 de abril de 2017, “Cleisson e outros, mediante uso de armas branca (faca) e armas de fogo, mataram as pessoas que ali puderam encontrar, com desígnio autônomo, de forma repentina e surpresa, ao percorrerem a Linha 15, utilizando de crueldade, inclusive tortura, dificultando, de qualquer forma, a defesa das vítimas”.

Para o Ministério Público, o motivo torpe é em razão do propósito patrimonial de Marcos Túlio e Alcides e da promessa de pagamento a Cleiton; os denunciados dificultaram a defesa das vítimas ao surpreendê-las enquanto trabalhavam na região; e o meio utilizado foi cruel porque algumas vítimas foram amarradas antes de serem mortas por golpes de arma branca. Além disso, atuaram como grupo de extermínio, uma vez que “os executores eram matadores de aluguel que agiam em local que não há presença do Estado, sob pretexto de segurança privada”.

Além da denúncia, o MPE requereu a fixação de indenização mínima aos familiares das vítimas, em valor não inferior a R$ 200 mil, a título de danos morais e materiais.

Histórico

Um madeireiro e outros homens acusados de planejar e executar a chacina já haviam sido denunciados pelo MPMT no ano de 2017. O Tribunal de Justiça reconheceu a ausência de provas contra quatro deles, para levá-los ao julgamento pelo Tribunal do Júri, e existe uma ação em curso, em fase de recurso.

Segundo a Promotoria de Justiça de Colniza, há compatibilidade entre as denúncias anteriormente formuladas e a apresentada na quarta-feira (21), pois havia vários interesses em jogo (extração de madeira e utilização para agropecuária) em relação à área em disputa.


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